O que um empresário realmente quer dizer quando reclama dos impostos?

Deixa eu te contar uma história. Há alguns dias, um dos clientes da JR Contabilidade me pediu uma reunião na empresa para tratar de assuntos importantes para o negócio dele, sem pauta definida.

Na semana seguinte fui ao encontro dos empresários e, chegando lá eles começaram a reclamar que o negócio não ia bem e me relataram uma série de dificuldades pelas quais a empresa estava passando. Me disseram que as vendas caíram, que o caixa estava apertado, que fizeram um investimento muito alto na planta industrial nova e, por isso, estavam descapitalizados, que demitiram no último mês muitos funcionários para cortar custos, etc.

Ouvi atentamente o que eles estavam me dizendo. Eles prosseguiram dizendo que havia concorrentes que estavam tirando mercado deles e também que precisavam cortar custos para que a empresa pudesse voltar a ter fôlego financeiro. Ou seja: eles precisavam de uma redução em nossos honorários. O final da conversa foi como muitas do tipo, eles dizendo que o maior problema da empresa eram os “impostos e alta carga tributária de nosso país”.

Isso parece óbvio pra você certo!? Quem nunca ouviu dizer que o problema são os impostos?

Lógico. Mas será mesmo?

Quando terminaram, fiz uma pergunta: “Vocês acreditam realmente que o maior problema da sua empresa é alta carga tributária?”. Após uma pequena pausa reflexiva eles perguntaram: “Mas o que você quer dizer com isso?”. Minha resposta foi “que quase nunca os impostos são o problema”.

Prossegui dizendo que, na verdade, a empresa não paga impostos, somente arrecada. Eles imediatamente retrucaram: “mas não é a mesma coisa?”. Respondi que “não, não é. É bem diferente”.

Quando se vende um produto os impostos fazem parte do preço e se o cliente concorda em pagar o preço que se pede é ele quem, de fato, está pagando impostos e não a empresa. Depois de explicar perguntei se “fazia algum sentido?” eles me responderam “que, pensando bem, fazia sim”. A verdade é que quase ninguém sabe disso!

O que estava acontecendo era que eles não conseguiam enxergar que a origem do problema “dos impostos” estava realmente escondida na gestão do negócio. Quando um empresário diz que está “apertado” o problema quase nunca são os impostos.

A empresa havia feito investimentos com capital próprio que consumiram recursos do caixa, as contas a receber de clientes cresceram por falta de uma política comercial bem definida, prazos maiores de recebimento sem um critério, de acordo com a “cara do cliente”. Dessa maneira eles acabavam financiando o cliente, esvaziando as fontes de recursos para financiar a sua própria operação.

Enquanto isso mantiveram o volume dos estoques em níveis altos e mesma a política de compras, pagando seus fornecedores com os mesmos prazos, o que fez com que mais recursos fossem retirados do negócio. Por sua vez, as vendas estavam em queda, e a razão era que os produtos fabricados estavam fora das tendências de consumo. Pra completar isso resultou em uma perda de share (fatia do mercado).

Basicamente, o problema desses empresários estava dividido em 4 (quatro) operações da empresa que estavam mal administradas:

  •  comprar;
  • vender;
  • pagar;
  • receber;

Essas quatro operações, nada mais são do que o capital de giro. A má administração do capital de giro pode levar um negócio lucrativo a fechar as portas, e o que quebra uma empresa não é a falta de lucro, mas sim a falta de caixa para pagar seus compromissos.

O velho clichê de que os “impostos” e a “carga tributária” são o problema esconde um problema maior e mais grave dos micro e pequenos negócios de nosso país, que é gestão.

E você, como está administrando o seu capital de giro?

Se quiser saber mais sobre esse assunto, e como resolvemos esse e outros problemas, acompanhe a gente aqui. Toda semana a JR Contabilidade vai te contar como é possível solucionar os problemas do seu negócio.

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